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Foto Divulgação

Chantagem no Serviço Público: Prefeito de Érico Cardoso Ameaça Servidores por Apoio a Jerônimo — e o Governador Precisa Explicar
Bahia Realidade News · Oeste Baiano
Política · Assédio Eleitoral

"Pode Pedir Para Sair": Prefeito de Érico Cardoso Ameaça Servidores que Não Apoiarem Jerônimo — e Deixa o Governador na Berlinda

Vídeo divulgado nas redes sociais mostra Eraldo Félix (Republicanos) condicionando a permanência no funcionalismo municipal ao apoio à reeleição do governador. Ministério Público Eleitoral já abriu procedimento — mas a pressão para eleger Jerônimo Rodrigues não nasceu sozinha em Érico Cardoso.
MunicípioÉrico Cardoso (BA)
Autoridade envolvidaPrefeito e Vice-Prefeito
Órgão apuradorMP Eleitoral
StatusProcedimento instaurado

Um vídeo que circula nas redes sociais escancarou, sem meio-termo, uma prática que boa parte do funcionalismo público baiano conhece bem, mas raramente vê documentada em áudio e imagem: a troca explícita entre estabilidade no emprego e fidelidade política. Na gravação, o prefeito de Érico Cardoso, Eraldo Félix (Republicanos), afirma que servidores municipais que não integrarem o "time" da administração — leia-se, que não apoiarem a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) — devem, nas palavras do próprio gestor, "pedir para sair" antes de serem exonerados.

Não é sugestão. Não é conselho. É, segundo a leitura que já motivou a abertura de procedimento pelo Ministério Público Eleitoral, uma ameaça direta ao emprego de servidores públicos, usada como instrumento de campanha antecipada em plena gestão municipal.

"Quem não estiver no time, pode pedir para sair antes que a gente tenha que tomar a decisão." Trecho atribuído ao prefeito Eraldo Félix, segundo vídeo em circulação nas redes sociais

O que motivou a investigação

Após a repercussão nas redes, o Ministério Público Eleitoral instaurou procedimento para apurar a conduta do prefeito e do vice-prefeito de Érico Cardoso. A investigação vai avaliar se as declarações configuram coação e assédio eleitoral — crimes previstos na legislação eleitoral brasileira quando agentes públicos usam sua posição hierárquica para constranger subordinados a apoiar candidaturas — além de eventual improbidade administrativa, prevista na Lei 8.429/92 para atos que atentem contra os princípios da administração pública.

É importante que se diga com clareza: a abertura de procedimento não significa, e não pode ser lida como, responsabilização automática dos investigados. O prefeito e o vice-prefeito têm direito ao contraditório e à ampla defesa, e cabe às instituições — MP Eleitoral, Justiça Eleitoral e, se for o caso, Tribunal de Contas dos Municípios — concluir a apuração com todo o rigor técnico que o caso exige.

Mas o episódio não pode ser tratado como incidente isolado de um município pequeno do interior. Ele expõe, de forma crua, o tipo de pressão que setores da máquina pública municipal vêm sofrendo em praticamente todo o estado, num ano em que a reeleição de Jerônimo Rodrigues se tornou o eixo organizador de discursos, agendas e — segundo o próprio vídeo sugere — também de ameaças veladas a servidores.

Análise Editorial — Bahia Realidade News

Um prefeito não grava um vídeo desses pensando que fala sozinho. Fala porque acredita que essa é a régua aceitável de uma campanha que, direta ou indiretamente, tem no nome de Jerônimo Rodrigues seu centro de gravidade no Oeste da Bahia. É desse ponto que nasce uma pergunta que esta redação entende legítima e que os fatos até aqui não permitem descartar: quanto dessa pressão em municípios como Érico Cardoso reflete orientação, tolerância ou, na melhor das hipóteses, omissão da própria campanha estadual?

Registre-se: não há, até o momento, qualquer elemento que vincule diretamente o governador Jerônimo Rodrigues à fala do prefeito Eraldo Félix, e esta redação não afirma o contrário. O que existe — e isso não é opinião, é fato público — é um padrão que vem se repetindo em distintos municípios baianos ao longo do ciclo eleitoral: gestores municipais aliados atrelando permanência no cargo à lealdade eleitoral ao governo estadual. Diante disso, o silêncio de lideranças estaduais não é neutro. Se Jerônimo Rodrigues não sabia, é hora de mostrar que não compactua. Se sabia e nada fez, a pergunta sobre sua responsabilidade política deixa de ser insinuação e passa a ser cobrança legítima da imprensa e da sociedade.

O que a Bahia Realidade News cobra

1. Que o Ministério Público Eleitoral conduza a apuração com celeridade e transparência, garantindo que Érico Cardoso não vire mais um caso arquivado sem resposta à população.

2. Que a Justiça Eleitoral avalie, com o mesmo rigor, se casos semelhantes existem em outros municípios do Oeste Baiano.

3. Que o governador Jerônimo Rodrigues se manifeste publicamente sobre o episódio, e não apenas quando confrontado pela imprensa.

4. Que servidores municipais ameaçados tenham canais seguros para denunciar, sem medo de retaliação — a mesma retaliação que o vídeo sugere já ter sido colocada sobre a mesa.

Servidor público não é cabo eleitoral. Emprego estável, garantido por concurso ou por vínculo funcional, não pode ser moeda de barganha para sustentar palanque de ninguém — nem de prefeito de cidade pequena, nem de governador em busca de reeleição. Enquanto o procedimento do MP Eleitoral corre seu trâmite, fica a certeza de que Érico Cardoso será, a partir de agora, um termômetro de até onde a política baiana está disposta a ir para se manter no poder.

Bahia Realidade News — Cobertura política do Oeste Baiano
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