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Estatal do governo Lula abriga ‘exército’ eleitoral em contrato de R$ 35 mi

🚨 RADAR DA POLÍTICA: Estatal ligada ao governo Lula vira alvo de questionamentos após contrato de R$ 35 milhões
Reportagem aponta que centenas de bolsistas vinculados a convênio da PortosRio com a UFRJ tinham ligações com políticos, partidos e campanhas eleitorais
Um convênio de R$ 35 milhões entre a estatal federal PortosRio e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) entrou no centro de uma forte controvérsia política após levantamento do UOL identificar centenas de beneficiários com vínculos com políticos, partidos, campanhas eleitorais e grupos ligados à política fluminense.
A reportagem identificou uma folha de pagamentos sigilosa de R$ 8,9 milhões e apontou que, entre 544 bolsistas analisados, 305 tinham algum tipo de ligação com a classe política, incluindo candidatos, cabos eleitorais, dirigentes partidários, ex-funcionários públicos, parentes de políticos e aliados.
💰 R$ 35 milhões e uma rede que chama atenção
O convênio foi firmado sem licitação e prevê repasses em três parcelas. De acordo com o levantamento, os recursos deveriam ser destinados a estudos científicos, projetos relacionados à atividade portuária, capacitação e ações de integração entre portos e comunidades.
O problema apontado pela reportagem está na composição de parte dos bolsistas.
Entre os beneficiários aparecem pessoas que disputaram eleições, trabalharam em campanhas, possuem vínculos partidários ou são parentes de políticos e aliados.
A situação levanta uma pergunta inevitável: como recursos destinados a estudos e capacitação acabaram alcançando uma quantidade tão expressiva de pessoas com conexões políticas?
⚠️ Auditoria interna também levantou dúvidas
O caso ganhou ainda mais peso porque a própria auditoria interna da PortosRio questionou o convênio.
Segundo o parecer obtido pelo UOL, não havia estudos prévios demonstrando que o acordo com a UFRJ seria a alternativa mais vantajosa em comparação com a contratação convencional de empresas de consultoria.
A auditoria também registrou que a estatal utilizou recursos próprios de caixa para bancar o acordo, classificando a decisão como “queima de caixa”.
O Conselho de Administração chegou a suspender o convênio em abril. O pagamento da segunda parcela acabou sendo liberado posteriormente, em junho.
🏛️ Waguinho aparece no centro das articulações
A reportagem também aponta a influência política do ex-prefeito de Belford Roxo Wagner Carneiro, o Waguinho, sobre a PortosRio.
Segundo o UOL, ao menos 37 ex-funcionários da Prefeitura de Belford Roxo ou aliados foram nomeados para cargos na estatal. Waguinho chegou a ocupar uma função na companhia entre setembro de 2025 e março de 2026, antes de deixar o cargo para atuar em sua campanha ao Senado.
A reportagem relaciona ainda diversos beneficiários do convênio a grupos políticos ligados ao ex-prefeito.
👥 Até famílias aparecem entre os beneficiários
Outro ponto que chamou atenção foi a presença de familiares de pessoas ligadas à política.
O levantamento cita, por exemplo, familiares de aliados e funcionários ligados ao grupo político de Waguinho entre os beneficiários das bolsas. Em um dos casos mencionados, membros de uma mesma família receberam pagamentos do programa.
Isso ampliou o debate sobre os critérios utilizados para selecionar os participantes.
🗣️ O que dizem os envolvidos?
A PortosRio afirmou que não realizou contratos individuais com os bolsistas, mas firmou um convênio com a UFRJ. A estatal também declarou que não mantém cadastro destinado a identificar filiação ou atuação político-partidária dos beneficiários e que não valida a metodologia nem as conclusões do levantamento jornalístico.
A UFRJ explicou que existem diferentes grupos de bolsistas: alguns selecionados pela própria universidade e outros indicados pela PortosRio para atividades de extensão, cursos e ações comunitárias.
O Palácio do Planalto negou que Lula tenha escolhido Waguinho para exercer influência política sobre a estatal e afirmou que as nomeações e a gestão das empresas públicas seguem mecanismos de governança e a legislação vigente.
Waguinho e Daniela Carneiro também negaram participação na seleção dos bolsistas.
🔎 O que precisa ser esclarecido
O caso não permite concluir, apenas pela existência de vínculos políticos, que todos os pagamentos tenham sido ilegais ou que os beneficiários não tenham realizado as atividades previstas.
Mas a combinação de R$ 35 milhões em recursos, contratação sem licitação, questionamentos da auditoria interna e centenas de bolsistas com vínculos políticos coloca a transparência e os critérios do convênio sob forte escrutínio.
🗳️ RADAR DA ELEIÇÃO — BAHIA REALIDADE
Em ano eleitoral, qualquer movimentação envolvendo dinheiro público e pessoas ligadas a partidos ou campanhas naturalmente ganha ainda mais atenção.
A principal questão agora é saber se os mecanismos de controle conseguirão demonstrar, de forma clara, quem recebeu, por qual atividade, com quais critérios e qual foi efetivamente o resultado entregue ao poder público.
Dinheiro público exige transparência — principalmente quando a política aparece tão próxima da folha de pagamentos.
Fonte principal: UOL/TAB, reportagem de Julia Affonso, publicada em 27 de julho de 2026.
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