Bahia produz 980 mil toneladas de algodão e supera Austrália na safra 2025/2026
Bahia produz 980 mil toneladas de algodão e supera Austrália na safra 2025/2026
Estado amplia participação no mercado mundial, enquanto setor discute desafios relacionados à qualidade da fibra, logística, custos de produção e integração com a indústria têxtil

A Bahia ampliou sua participação no mercado internacional do algodão e alcançou uma produção de aproximadamente 980 mil toneladas de pluma na safra 2025/2026. O volume supera o registrado pela Austrália e aproxima o estado do Paquistão, reforçando a presença do oeste baiano entre as principais regiões produtoras da fibra no cenário mundial.
O crescimento da produção, no entanto, também amplia as exigências para manter a competitividade do setor. Questões como qualidade da fibra, infraestrutura logística, condições climáticas, custos de produção e aproximação entre agricultores e indústria têxtil estiveram entre os temas debatidos durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), realizado nesta semana, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Os números apresentados durante o evento evidenciam a expansão da cotonicultura baiana em um contexto de fortalecimento do Brasil no comércio internacional. O país se consolidou entre os principais fornecedores mundiais da matéria-prima, ampliando sua presença nos mercados consumidores e aumentando a regularidade da oferta ao longo do ano.
Bahia ganha espaço entre os grandes produtores
A produção de aproximadamente 980 mil toneladas de pluma coloca a Bahia em posição de destaque no cenário internacional. A região oeste do estado concentra importantes áreas de cultivo e reúne condições que favorecem a produção em larga escala, com uso de tecnologia, mecanização e sistemas de manejo voltados ao aumento da produtividade.
O desempenho baiano acompanha o avanço da cotonicultura brasileira, que vem ampliando sua capacidade de abastecimento do mercado externo. Segundo os dados apresentados no congresso, o Brasil superou os Estados Unidos em volume de exportações nas duas últimas safras.
No ciclo encerrado em julho, os embarques brasileiros ficaram 27% acima dos registrados pelo segundo maior exportador mundial, conforme os números discutidos durante o painel. O resultado demonstra a dimensão alcançada pelo país no comércio global da fibra.
Outro aspecto destacado foi a redução da sazonalidade da oferta brasileira. Com uma produção distribuída de maneira mais regular, o Brasil passou a ter condições de atender compradores internacionais com maior constância, característica importante para as empresas que dependem de matéria-prima para manter suas operações industriais.
Crescimento traz novas exigências para o setor
Apesar dos resultados expressivos, o aumento da produção exige atenção a fatores que influenciam diretamente a rentabilidade e a capacidade de atendimento aos mercados compradores.
A qualidade da fibra é um dos pontos centrais. Além do volume disponibilizado, a indústria têxtil considera características técnicas do algodão, como comprimento, resistência, uniformidade e outras propriedades que interferem no processamento industrial e na qualidade do produto final.
Nesse cenário, a aproximação entre produtores rurais, beneficiadoras e indústria têxtil ganha importância. Uma comunicação mais integrada entre os diferentes elos da cadeia pode contribuir para alinhar as características da produção às necessidades dos compradores, além de ampliar as oportunidades comerciais para o algodão brasileiro.
A logística também permanece entre os desafios. O transporte da produção das áreas agrícolas até os pontos de processamento, armazenamento e exportação tem impacto sobre os custos e a competitividade. Para regiões produtoras distantes dos principais portos, a eficiência da infraestrutura de transporte é especialmente relevante.
Os custos de produção e as condições climáticas completam a lista de fatores que exigem planejamento. Variações no preço dos insumos, despesas operacionais e condições de cultivo podem afetar os resultados econômicos das propriedades, mesmo em regiões com elevada produtividade.
Irrigação amplia possibilidades de produção
Outro dado apresentado durante o congresso diz respeito à área irrigada da Bahia. O estado possui aproximadamente 500 mil hectares com sistemas de irrigação, dos quais quase 200 mil hectares são destinados ao cultivo do algodão.
A irrigação pode contribuir para maior controle do fornecimento de água às lavouras, especialmente em períodos de irregularidade das chuvas. Entretanto, os resultados dependem de fatores como disponibilidade hídrica, custos de energia, manejo e eficiência dos equipamentos utilizados.
O uso da tecnologia precisa estar associado ao planejamento dos recursos naturais e à gestão dos custos para que a atividade mantenha sua viabilidade econômica ao longo das safras.
Setor busca consolidar competitividade
A expansão da produção baiana ocorre em um momento de maior relevância do Brasil no mercado internacional do algodão. Para sustentar esse espaço, o setor precisa conciliar escala produtiva, qualidade, eficiência logística e capacidade de atender às exigências da indústria e dos compradores internacionais.
As discussões realizadas durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão refletem essa nova etapa da cotonicultura nacional. Com volumes expressivos e presença crescente no comércio exterior, produtores e demais agentes da cadeia enfrentam o desafio de transformar o crescimento da produção em competitividade duradoura.
Na Bahia, especialmente no oeste do estado, os resultados da safra 2025/2026 reforçam a dimensão alcançada pela atividade agrícola e a importância do algodão para a economia regional. A manutenção desse desempenho dependerá da capacidade de superar gargalos estruturais, acompanhar as demandas do mercado e ampliar a integração entre o campo e a indústria.
Fonte: BA de Valor.